sexta-feira, 30 de abril de 2010

Conto...

Essa é minha primeira vez tentando fazer algo do tipo. Vi um filme, li um livro e ouvi uma musica, e acabei ficando inspirado. Comecei a escrever e só parei quando minhas idéias já tinham se esvaecido. As letras bem pequena em itálico, são parte da música. (acho que vai dar pra entender isso)

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No céu pincelado com espaças nuvens, o sol avermelhado nascia, inundando as árvores do parque não muito distante, onde os pássaros em seus ninhos já cantavam uma linda harmonia, indicando que um novo dia estava começando. Poderia ser apenas mais um dia em sua vida, porém não o era. Todos os outros, por anos, acordava indisposto em enfrentar mais um dia de falsas esperanças. Falsos sorrisos. Falsa felicidade. Matheus já estava de certa forma, acostumado com tudo aquilo. “Amanhã melhora...” - falava em vão para si mesmo. A idéia de que o próximo dia seria melhor do que o presente sempre o agradou, mesmo que no fundo sabia que, no máximo, seria igual ao anterior.

Mas aquele era diferente, estava em seu último dia naquele lugar. Passara o outro ano inteiro planejando por ele. As malas já estavam prontas, tudo conferido - passagens e passaporte. Seria na manhã seguinte que ele partiria para o desconhecido das terras Suíças. Passaria, ao menos, dois anos longe de tudo, por um motivo maior que sua família poderia entender - apesar de fazê-lo inconscientemente. Entretanto, não era isso que o preocupava. Antes de ir, ele precisava fazer algo. Algo muito difícil que se recusou em fazer por mais anos que gostava de pensar. Pegou seu casaco – era um daqueles dias que apesar do sol, fazia frio – e saiu de casa. O lugar não era longe, então decidiu ir a pé, pois precisava pensar sobre o que estava prestes a ocorrer.

Matheus sempre deixou transparecer um caráter taciturno, o que em parte não era verdade. O silêncio fazia parte de sua personalidade, porém com aqueles que lhe interessavam sempre foi o contrário do que imaginavam. Contudo, achava que essa parte de sua personalidade sempre deixara os outros com receio, principalmente as mulheres. Mas não vinha ao caso, pensou ele. Aquilo era algo intrínseco a ele, logo não o conseguiria mudar, então não havia motivo para perder aquele tempo pensando.

As ruas estavam estranhamente calmas. O dia estava perfeito demais. Talvez, divagou ele, que pela primeira vez as coisas poderiam seguir as falsas esperanças que ele sempre deteve. Depois de tantos anos, tornara-se uma pessoa mais pessimista e cética do que já era, mas afinal, nunca tivera sorte nesses aspectos... ”Ou talvez, eu nunca fui homem o suficiente para tentar” – sempre pensava. Riu. Ele já sabia o que ia acontecer.

Já estava a uma quadra do bar quando seu celular tocou. Era ela. “Vou me atrasar alguns minutinhos!” – disse. Ele riu. Já saiba o que ia acontecer. Decidiu fumar um cigarro antes de entrar no bar. Um costume que adquirira não há muito tempo, e que sempre foi contra. Mas não vinha ao caso, aquilo era totalmente reversível, então não havia motivo para perder aquele tempo pensando. Contudo, ele estava vazio. Não haviam pensamentos a serem pensados, faltavam poucos minutos para alguns momentos de felicidade e depois, solidão. Riu novamente, ele já estava acostumado.

O bar era um de seus preferidos. Daqueles com pé direito bem baixo, com cadeiras e mesas de madeira escura – cuja nunca conseguia lembrar o nome. As paredes, devido ao teto baixo, pareciam ser mais decoradas do que realmente eram, e refletiam de maneira inexplicavelmente agradável a luz baixa do lugar. Um ambiente que o fazia feliz. E a música também.

Pediu uma cerveja enquanto aguardava a chegada dela.

Dez minutos se passaram quando ouviu aquela voz suave e conhecida. “Oi!” - disse ela em um tom exageradamente feliz. Como sempre, parecia que alguém tinha apertado o botão Stop da sua vida, e ele pôde observar cada detalhe dela. Os cabelos longos, pretos e lisos, perfeitamente cortados. Os olhos que hipnotizavam qualquer ser vivo pensante daquele mundo. O sorriso que fazia qualquer um sorrir também. Enfim, cada minúcia que ele não cansava de olhar e pensar. Ao mesmo tempo, aquele sentimento de angustia também o tomava conta.

A conversa estava ótima. Já estavam ali a mais de 1 hora, e haviam conversado de tudo desde Pokémon até Schopenhauer. Entretanto, apesar da felicidade que ele estava sentindo, pensou que já era hora de contar de uma vez. Riu. E o fizera, ironicamente, ao som de sua música predileta.

Era engraçado, pensou ele. Como as coisas podem mudar simplesmente depois de algumas palavras. Após alguns minutos de silêncio, que fizeram aquela esperança já enterrada querer voltar do buraco que estava, os lábios dela começaram a se movimentar:

-Eu não sei o que dizer... Você sabe que eu gosto de você, mas eu amo o Leonardo – disse ela com um tom de quem acabara de tomar um soco. “You could love me or not...”

- Sim, eu sei. E é por isso que nunca mais irei falar com você – ele respirou profundamente, tentando mostrar confiança em suas palavras - Minha vida tem sido miserável. “… But either way I've got to wake up to face another day tomorrow morning...”

- Eu... Eu não sabia... – mais uma vez com um ar meio desnorteado, e agora com ralas lágrimas aparentes, ela respondeu.

- Unicamente porque minha intenção nunca foi de deixar você saber – respondeu com aquele ar frio e calculista que sempre o tomava em situações que qualquer um já teria perdido o controle – Ficarei 2 anos fora e não irei fazer mais contato, nunca mais. Só assim conseguirei esquecer você e seguir em frente com minha vida.

Não. Por mais que ele tenha imaginado isso enquanto fumava, nunca teria conseguido o fazer, pensou ele. Riu. Apagou o cigarro e entrou no bar.

A conversa estava ótima. Já estavam ali a mais de 1 hora, e haviam conversado de tudo desde Pokémon até Camus. Entretanto, já estava tarde, ele ainda tinha que jantar com a família. Despediram-se então, com um longo e forte abraço. “Eu te aviso quando chegar lá!” – disse ele antes de ela entrar no carro.

Voltou para casa rindo. Não risos falsos, como os outros, esse eram reais. “Afinal, quem não gosta de sofrer um pouco” – pensou ele, em voz alta. Amanhã uma nova vida o aguardava, tais pensamentos seriam menos freqüentes, concluiu ele. “Ou ao menos eu espero...”

“I've still got a photo in my wallet of you
I've got to stop my self
From picking up the phone and just calling you
I've got to keep my emotions together and forever
So don't be afraid
I can't erase memories with the actions I seize
And I cannot erase your smiles and your eyes
With your hair in the breeze
And the only way for me to move on
Is to write it in a song that life goes on

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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Posts antigos?

Ora ora, às vezes é difícil transcrever sentimentos ou idéias em palavras. Meus brainstorms geralmente são ricos e demorados, entretanto chega a ser frustrante a dificuldade que sinto para conseguir expressar tudo.

Revisei meus antigos, e poucos, posts e percebi que 90% deles são de um teor um tanto "pesado" e que ao ler revivi as épocas que estava. Fiquei pensando, por que só escrevo sobre coisas do gênero? Será que apenas elas me inspiram? As boas acontecem, mas nunca senti vontade de escrever sobre elas. Dei-me conta que isto aqui está mais para um depósitos de divagações que de certa forma me incomodaram, em contrapartida com coisas boas, que por sua vez não me incomodam então posso guardá-las sem problemas.

Saber lidar com o sofrimento é uma ferramenta útil. O bom manuseio dele te fortalece, e de certa forma, completa a vida. Momentos felizes sempre serão momentos felizes, porém se todos vivêssemos felizes 100% do tempo, logo não existiriam os próprios, uma vez que não conheceríamos sentimento contrário à aquele de todos os dias. Creio na idéia que a dor e sofrimento existem para que possamos enfrentar futuras situações desagradáveis de uma forma melhor e para quando a paz e felicidade chegarem podermos aproveita-las e valoriza-las mais ainda.

O intrigante é como em algumas situações gostamos de sofrer, mesmo que inconscientemente. Diria que nosso cérebro, às vezes, nos controla e não o contrário. Um ótimo exemplo disso é quando você toma no seu orifício de dejeto na vida amorosa.

Serelepe e contente, dias perfeitos porque no final você falou com ela(e), céu estrelado todos os dias, até que as estrelas começam a desaparecer, os dias nem estão mais perfeitos assim porque no final você brigou com ela(e), e de repente o chão abre e você começa a cair, bate no fundo e logo após se levantar você percebe que está em um labirinto. Labirinto das Recordações. Semanas se passam e você sente que está prestes a sair daquele inferno, mas estranhamente você não quer deixar aquele lugar. Ao mesmo tempo que ruim, é bom...Só mais um pouquinho...

Por mais figurativo que tenha ficado, a ligação está feita. Dúvido que alguém já não tenha passado por isso, e dúvido muito mais que tenha sido a última. No filme 500 Days of Summer (500 Dias com Ela) isso é retratado de uma forma muito legal e realista, e que muito provavelmente fará você pensar no assunto.

Mas por que será que isso acontece?Pois bem, também queria saber...

Enfim, esqueci o que eu ia continuar escrevendo então acabo por aqui! #fail




segunda-feira, 5 de abril de 2010

Montanha russa

Engraçado, nunca pensei que guardar rascunhos poderia ser tão legal. Estava vasculhando algumas coisas que havia escrito algum tempo atrás, pouco tempo. (sim, escrevo várias coisas, porém posto poucas). O arquivo só continha o começo de um post, falando sobre uma fase que estava vivendo, ou estou vivendo... não sei... Aproveitei para continuar o assunto.


Montanha russa de emoções e sentimentos fazem bem para lembrar que você está vivo, porém geralmente elas devem durar pouco, não muito. Quando duram muito, algo está errado, tem que estar errado.

Cansei de "googlar" algum conto, poesia, e derivados para descrever o que se passa, pois sei exatamente o que acontece, porém não posso escrever e nem dizer (apesar de ja ter o feito uma vez), pois só iria piorar! O fardo é grande demais para ser compartilhado.
Um bom jeito que descobri para esquecer disso (ou tentar) é ocupar a cabeça com qualquer coisa, seja útil ou inútil.

O importante é não pensar - e o melhor jeito de se fazer isso é durmir, passar o tempo estudando ou nerdeando com jogos de PC, ou para os mais moderninhos e sociáveis, sair com os amigos, beber e tentar pegar uma ou outra menina (apesar que fazendo isso, de certa forma, pode piorar) - pois se o pensamento vier, resulta nisso: uma música depre e um texto sem sentido.
Mas no meio dos pensamentos, fico imaginando se estou fazendo o certo. Será que é assim que se leva a vida? Tentando fingir que nada se passa com você? Fingir em ser feliz não resultará em felicidade.


Sabe aquele filme "Falling Down" (Um dia de fúria) ? O filme retrata, de uma forma bem suave, o que eu gostaria de fazer às vezes. Diferentemente do filme, eu não perdi o emprego e nem estou inconformado com o fim de um casamento.

Talvez eu até ficaria feliz se eu realmente tivesse um
motivo sério. De maneira global, meus problemas são ínfimos se comparados ao de muita gente (porra, e é isso que só piora as coisas!), porém de uma forma pessoal, esses problemas atrapalham, e muito. Cansaço sem motivos, procrastinação excessiva, falta de concentração, são alguns exemplos de como atrapalham.

Minha fúria vem de certas situações constantes no meu dia-a-dia, e principalmente, de mim mesmo. Da minha incapacidade de supera-las, e todos os dias, há meses (talvez anos) viver com as mesmas culpas, remorsos e vontades de mudar que ficam apenas na teoria. O que me deixa mais puto é que tudo isso é melodrámatico demais para mim...


"A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca."

Carlos Drummond de Andrade


Há uma droga que dizem amenizar tudo isso, é um daqueles segredos conhecidos. Se dosada da maneira correta, tudo ficará bem (ou ao menos quase tudo), se dosada da maneira errada (demais) tudo irá piorar. Não, não é o alcool, nem o cigarro, nem a maconha, nem qualquer outro tipo de droga acessivel à qualquer um. É um tipo de droga que poucos conseguem ter, que te liberta, vicia, que corroe por dentro, que faz você a pessoa mais capaz do mundo, e ao mesmo tempo a mais frágil. Ao que todos dizem, apesar de tudo, ela oferece paz de espírito, cuja não tenho há tempos...

Quem sabe está na hora de procurar ela...


(ou talvez seja tudo mentira, apenas algo para se apoiar e acreditar que aí sim, as coisas irão melhorar)

Falto coisa hein, mas fuck this! Já sinto-me melhor depois de algumas linhas! Até uma incerta próxima (ou até eu adicionar algo a esse texto)


ACORDA! (só eu vou entender isso, quando for ler novamente algum dia esse texto)