domingo, 10 de fevereiro de 2008

Reflexões sobre uma viagem...

Devido a excesso de preguiça e uma mínima falta de tempo, só hoje decidi postar algumas reflexões sobre uma viagem!
Deixo bem claro que tudo aqui escrito é sob meu aspecto de vista, talvez eu possa estar errado para você que está lendo, porém é o que eu penso atualmente.


(Glacial Perito Moreno - El Calafate, Argetina. Como fui eu que tirei, peço para que não a copiem)


Essa foi minha primeira viagem para fora do Brasil, e a segunda que o intuito era entrar em contato com a natureza. Para deixar claro, viajei pela Patagônia Argentina e Chilena.
A maioria das paisagens resumiam-se a Glaciais, como o Glacial Perito Moreno, montanhas circundadas de lagos de águas vindas dos glaciais (100% potáveis heheh), enfim, a paisagem era deslumbrante. Em alguns momentos, até arrisco dizer que devo ter entrado em contato com alguma força sobrenatural, ou Deus (meu conceito de Deus é um pouco diferente), pois a sensação que senti diante daquelas paisagens era inexplicável!


Durante toda a “aventura” (foi uma “light adventure” , como dizem), divaguei sobre aquela natureza e a situação de constante desaparecimento. Como é possível algo que levou milhares de anos estar desaparecendo em tão pouco tempo? Claro que a resposta é o efeito estufa, porém a pergunta possui uma outra implícita: “Como chegamos a esse ponto?”.
Eu entendo que quando o efeito estufa se iniciou, talvez não tínhamos consciência do mal tão grande que estaríamos fazendo para a natureza e conseqüentemente para nós mesmos, caso providencias não fossem tomadas. A parte que não compreendo é aquela em que tomamos consciência e ainda sim continuamos a, literalmente, “fuder” com tudo! (palavrões às vezes são necessários).


Será que somos tão idiotas a ponto de SABER que estamos prejudicando tudo ao nosso redor e mesmo assim não paramos? Sim, somos. Nosso grande problema é que não pensamos em escalas globais! Por exemplo, quando você esta andando na rua, pega o último Trident do pacote, porém não tem nenhum lixo por perto, ai então você “sem-querer” joga no chão com aquele sentimento de “um papel a menos, ou a mais não faz muita diferença”. Espero ter sido claro neste exemplo (apesar achar que não fui). Pois é, claro que um único papel no chão não fará grande diferença, porém imagine se todos daquela mesma rua jogassem um papel, da rua paralela também. Agora de todas as ruas da cidade, todas as avenidas, ruas, becos, vielas, alamedas, etc do estado, do pais, do continente...Tudo ao mesmo tempo, com aquele mesmo sentimento de “não faz diferença”.
A quantidade de lixo seria (na verdade é) enorme. Tudo isso poluindo rios, entupindo esgotos etc. Pois é, aquele papelzinho FEZ DIFERENÇA! Mesma coisa do exemplo passado pode ser aplicada as industrias que emitem quantidades diárias absurdas de poluentes, aos latifundiários que desmatam áreas florestais para “garantir o seu” (se é que me entendem), etc.


Óbvio que a solução seria educar as pessoas para que não façam isso, porém, se essa consciência não é implementada desde criança, é quase impossível ensiná-la posteriormente. (eu disse QUASE). Então, a idéia é educar as atuais crianças com a chamada “consciência verde”. Ótimo! Daqui 18 anos talvez elas já comecem a tentar mudar algo. Infelizmente, em termos de Glaciais, dezoito anos podem significar o desaparecimento deles, conseqüentemente, o nível do mar aumentará, ilhas sumirão e quem sabe, estaremos prestes a dar um adeus a Veneza!


Estamos rumando ao fim de muitas coisas, e talvez o início de outras. A questão é saber se vão ser ruins ou péssimas...


Voltando a viagem, deixarei de lado a natureza e enfocarei na parte urbana.


Todas as cidades Argentinas que conheci foram, ao contrário do que muitas pessoas dizem, extremamente receptivas. As pessoas eram muito simpáticas e pareciam realmente gostar de brasileiros! No Chile foi a mesma coisa, a única diferença foi que, devido a valorização do peso chileno, o custo de vida é mais caro do que o argentino, porém ainda sim é mais barato do que o brasileiro.


O custo de vida brasileiro é uma piada. Eu pago mais barato para comer uma carne brasileira no Chile do que no próprio Brasil!
A quantidade de imposto que temos nesse país é absurda! Na Argentina, apesar de cada peso valer mais ou menos 3 dólares, eles conseguem ter preços quase iguais ao dos USA (eu disse quase). No Brasil, cada real vale 1,77 dólares e os preços chegam a ser 150% mais caros do que nos USA. (às vezes até mais, principalmente na parte de automóveis e eletrônicos) Vamos a alguns exemplos:
- Perfumes -> 100ml de um certo perfume custa 40 dólares, aqui no Brasil mais de 180 reais.
- Vestuário -> tênis custa 130 dólares lá fora, e aqui mais de 550 reais.
- Eletrônica -> Essa parte nem se fala, é extremamente revoltante comparar preços!
- Automóveis -> Idem ao de cima.
Eu até entendo que eles queiram “proteger” os produtos nacionais, mas tudo tem limite! O governo reclama de pirataria, mas quem vai pagar 110 reais em um show em DVD, quando na verdade ele não custa mais de 50 reais lá fora?
No Chile, disseram-me que os ônibus eram importados do Brasil. Achei realmente estranho, porque eles eram no mínimo duas vezes melhores do que os que circulam por aqui (pelo menos em São Paulo). Que tipo de país exporta coisa melhor do que ele próprio usa?


As coisas não melhoram porque, resumidamente, o governo não quer. O Brasil é um país que teria tudo para virar uma potência, mas existe uma série de fatores que não nos permite. Eu até poderia dissertar sobre alguns (porque sobre todos seria impossível), mas os principais todo mundo já conhece e dispensa comentários. (ou simplesmente porque estou com preguiça de digitar)


Conclusão sobre essa viagem: Perfeita! Principalmente pelo frio que fazia, pois não sou muito adepto a calor (só se eu estiver na praia). Recomendo que visitem os Glaciais antes que eles sumam, pois cidades famosas estrangeiras irão, sem dúvida nenhuma, durar mais do que eles!


(pra variar, acho que não escrevi tudo que eu queria)


Um comentário:

Unknown disse...

Discordo, é, eu sei, eu sempre discordei de ti!
Entonces, a parte que discordo deixarei claro mais tarde.
Primeiro a respeito das tais geleiras-problemas ambientais-aquecimento global.
Bem... A questão, acredito, não é apenas se faz ou não diferença as ações que as pessoas fazem, até por que todos já sabem que em larga escala tudo acaba fazendo IMENSA diferença...
A questão é que em muito eu deixo de ganhar ajudando...
Se eu, agricultor latifundiário, parar de desmatar, não produzirei em larga escala, e os outros latifundiários irão, como resultado meu preço sobe, o deles caem, eu não vendo meu produto e vendo minha propriedade falida pra um desses que desmatou.
É exatamente por isso que países desenvolvidos não adotam medidas ambientais drásticas. Pois não é uma mobilização mundial, e todo mundo quer a sua fatia dos esgotáveis (e quase esgotados) recursos naturais! Quem tomar conciência, infelizmente, fica pra trás.
E quem diabos pensa em VENEZA quando fala em aumento do nível do mar?! hahahaha Chegou a ser engraçado, mas eu sei que foi um comentário de bom coração!
Os Argentinos, como pude comprovar são sim muito simpáticos, mas apenas quando dentro dos seus interesses...
E é assim com todo mundo! Basta ver o tratamento que os argentinos recebiam nas praias catarinenses quando em hotéis, restaurantes, táxis, e todas as atividades que envolviam dinheiro quando a cotação era desfavoravel para os hoteleiros, donos de restaurantes e taxistas. Pode-se observar, que novamente (assim como no caso das geleiras, tudo gira em torno dos interesses de ganho!)
E acho completamente NORMAL (ainda que inaceitável o fato de a qualidade de vida deles ser superior à nossa... Isso é consequência do nosso protecionismo, que nasceu à partir do trauma que vivemos (eu não vivi, felizmente, digo em termos de BRASIL) com a inflação (e aí vem ela denovo!)
O problema não é a política, mas sim o fato de não haver política correta aplicável! Todas as medidas ADOTÁVEIS pelo governo ganham de um lado, mas perdem de outro... Contentam alguns, descontentam outros. Esses preços contentam o empresário brasileiro, que cresce, ganha mercado, abre novas empresas, se torna EMPREENDEDOR, mas deixam PUTO você, consumidor.
A solução para todos esses problemas (ou pelo menos a solução inicial, o ponto de partida) seria a redução dos gastos do governo, que é exorbitante desde a ditadura militar e vem crescendo desde então. Mas como eu disse, não há solução APLICÁVEL que contente a todos, (apesar de descontentar os integrantes do governo, o que não conta, pois estes já estão BEM contentes)a solução que dei é meramente hipotética, por não ser adotável em um país que baixa a cabeça para tudo o que fazem (Aliás, o resto da américa latina é muito mais politizada do que nós brasileiros, o que também é um IMENSO problema, pois assim nada muda)
Enfim. O discordo vem, e os argumentos vão, ainda que nem de tudo eu discorde.
Desculpa ter feito um post novo praticamente, mas é que achei interessantes os pontos q você abordou.
Abraços.